Receba Folha do Centro gratuitamente - Mande um Whatsapp para (21) 96471-7966 Edição N° 285 - Junho de 2020.
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Crise histórica ameaça o Liceu de Artes e Ofícios

Diretoria se reúne com representantes do governo para tentar solucionar o grave colapso financeiro na instituiçãoUma reunião realizada na Secretaria Estadual de Cultura foi o primeiro passo para tentar solucionar a grave crise financeira que o Liceu de Artes e Ofícios enfrenta atualmente. A centenária instituição tem grande importância na educação brasileira, fundada em 1858 com a finalidade de proporcionar o estudo das artes e sua aplicação necessária aos ofícios e indústrias.
O motivo da atual crise foi gerado por conta de uma dívida do Governo do Estado com a instituição. Desde o início do governo Pezão que o Liceu não recebe os valores devidos, que hoje somam um acumulado de 14 milhões de reais.
A reunião foi realizada para se tentar chegar a um acordo quanto aos pagamentos. “Foi uma reunião muito positiva e os representante do Governo de Estado entenderam que é totalmente devido o que estamos cobrando para o bom funcionamento do Liceu. Foi negociado um acordo verbal, agora partiremos para um acordo por escrito” revela Carlos Augusto da Cidade, vice-presidente do Liceu.
Participaram da reunião, a secretária de cultura sra. Danielle Barros, o Secretário Estadual de Educação, Pedro Fernandes, o Controlador do Governo de Estado, Hormindo Bicudo, o Presidente do Liceu de Artes e Ofícios, Prof. Paulo Frias, o Advogado do Liceu Giovanni Caroprose e o vice-presidente Carlos Augusto da Cidade.
Devido à crise, o colégio teve que fechar o ensino médio e o ensino fundamental 2 e está sem condições de manter o quadro de professores, também pela inadimplência de 50% dos alunos durante a quarentena, que fez as aulas pararem.
Atualmente, o Liceu continua funcionando apenas do Maternal ao 5°ano com mensalidades em torno de 400 reais, além de cursos gratuitos. A instituição que é sem fins lucrativos, é mantida pela Sociedade Propagadora de Belas Artes (SPBA).
Inaugurada com o objetivo de ser uma escola de artes e ofícios gratuita, o Liceu foi transferido para a Praça Onze em 1947. Seu antigo imóvel, que funcionava onde está atualmente a sede da Caixa Econômica Federal da Avenida Rio Branco, foi desapropriado e, em contrapartida, ficou definido por lei o pagamento de um benefício mensal pelo governo estadual para que a instituição pudesse manter cursos também gratuitos para a comunidade.
Mesmo sem receber o valor devido, o Liceu continuou cumprindo sua parte, e nos últimos seis anos ofereceu aulas gratuitas como as de teatro para portadores de necessidades especiais, cavaquinho e alfabetização de adultos. A subvenção hoje seria de R$ 150 mil mensais.
A imprensa carioca, reconhecendo a importância da instituição, reservou amplo destaque ao caso do Liceu, com denúncias e reportagens nos principais veículos da cidade. “Estamos sofrendo um estrangulamento financeiro da instituição desde o início do governo Pezão pelo não pagamento contratual. Antes da pandemia, já estávamos sobrevivendo por aparelhos, tendo que pagar dívidas trabalhistas e com alto custo de manutenção, mas agora estamos completamente sem receita. Quando o novo governo assumiu, fomos recebidos pelo secretário estadual de Educação, Pedro Fernandes, que disse que não pagaria e o processo continua tramitando na Justiça — explica o professor Paulo Frias, presidente da SPBA, ao jornal O Globo.
Paula Frias lembra que o próprio governador Wilson Witzel frequentou a instituição como aluno de docência da Faculdade Béthencourt da Silva, criada pela SPBA para formar professores para trabalhar nos cursos técnicos que foi fechada em 2015, logo após a paralisação do pagamento da subvenção estadual. “Tivemos que fechar a faculdade como consequência imediata do não pagamento da dívida contratual do Estado. Esperava que o governador Wilson Witzel tivesse um olhar atento pela nossa instituição, porque ele sabe da sua importância histórica e para a educação. Já estudou lá e andou muito naquelas rampas. Se o Estado retomar o pagamento ou se nos procurar para chegarmos a um acordo, conseguimos retomar as aulas até de forma gratuita. As famílias dessas crianças não deveriam nem estar pagando e, se pagassem, deveria ser pagamento módico. Cuido de um prédio tombado e sem receita. Temos um teatro para 400 lugares que fica vazio por falta de recurso — destaca o presidente.
No ano passado, o imóvel foi tombado pelo Patrimônio Histórico. Entre as históricas relíquias guardadas no Liceu está uma mesa de Dom Pedro II e cartas da Princesa Isabel e de Rui Barbosa.

 

 
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