FOLHA DO CENTRO - 23 ANOS DE EXISTÊNCIA Edição N° 264 - Setembro de 2018.
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Efeitos danosos do álcool

Os resultados da maior pesquisa mundial sobre os efeitos danosos do álcool, são claros: não há nível seguro para a utilização da substância. Nos últimos anos, evidências cientificas vêm mostrando que o álcool não deve ser tratado como uma droga branda, sem maiores riscos para os indivíduos e a sociedade. Quero aqui defender três argumentos que mostram porque é urgente a tomada de medidas firmes para o controle do álcool.
Em primeiro lugar, o álcool é uma droga perigosa porque lesa a sociedade por várias maneiras diferentes. Na população jovem, é a principal causa de morte precoce, em geral ligada à vulnerabilidade a doenças infeciosas, acidentes de carro e violência interpessoal. Se, hipoteticamente, toda a população mundial resolvesse parar de usar álcool, haveria 20% de redução das mortes e das condições de saúde incapacitantes. Acima de 50 anos, a hipotética supressão do álcool reduziria as mortes por câncer em mulheres em 25%!
A segunda razão para se combater o uso desregulado do álcool é sua invisibilidade. Como beber é uma prática cultural disseminada, há um nítido descompasso entre os danos que provoca na população e a percepção das pessoas destes danos, para si mesmas e para terceiros. É muito difícil para as pessoas reconhecerem que aquilo que estão acostumadas a fazer é muito mais nocivo do que lhes parece. Por isso, é fundamental que o assunto seja tratado não apenas do ponto de vista informativo, mas também propositivo. São necessárias medidas efetivas que, depois de discutidas com a população e pactuadas com todos, permitam de fato um controle do álcool.
Por fim, é importante ressaltar que o uso de álcool aumenta à medida que as sociedades enriquecem. O uso problemático do álcool é, de certo modo, um efeito colateral do avanço das sociedades contemporâneas. Pouco a pouco, o álcool vai se tornando um fator de risco fundamental para a carga de doenças nessas sociedades. No caso brasileiro, por exemplo, já é a terceira causa de anos de vida perdidos. É urgente que o Brasil coloque em sua agenda uma ampla discussão sobre o uso controlado do álcool
* Dr. Guilherme Messas, psiquiatra especialista em Álcool e Drogas.

 

 
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