FOLHA DO CENTRO - 23 ANOS DE EXISTÊNCIA Edição N° 248 - Maio de 2017.
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Prédios abandonados no Centro do Rioaguardam solução do poder público

Quem anda pelas ruas do Centro já deve ter reparado nos diversos prédios abandonados no bairro. Muitos deles se encontram em estágios avançados de deterioramento, ameaçando desmoronar ou serem invadidos. Entre eles se encontram edifícios particulares e governamentais que tiveram suas obras iniciada e nunca finalizadas. Muitos desses prédios são fundamentais para formação da identidade carioca e nacional e que estão esquecidos. Pensando nisso, o jornal Folha do Centro, listou seis imóveis no bairro que tem sido fonte de dor de cabeça para os moradores.
Em decreto criado em 1987, determina a preservação dos imóveis no entorno de bens tombados, determinando assim, que prédios históricos na cidade, sejam eles residenciais ou comerciais, fossem conservados. Os objetivos do Corredor Cultural são basicamente orientar proprietários ou locatários na recuperação dos prédios e colocação de letreiros; desenvolver pesquisas que ofereçam subsídios sobre a história da arquitetura e do urbanismo da área, o que inclui a cor da pintura e reforma de interiores; e mobilizar a opinião pública sobre a importância da preservação, por meio de eventos culturais para a revitalização do Centro. Os telhados e fachadas devem ser preservados, no entanto é liberado para modificações o interior dos edifícios. No caso dos prédios particulares, a Prefeitura oferecerá isenção de impostos, taxas municipais e orientação técnica para a reforma.
Um dos grandes exemplos de edifícios abandonados no Centro é o prédio número, 22, localizado na esquina da Praça da República com a Visconde de Rio Branco. Atualmente pertencendo ao Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), para a criação do Centro de Arqueologia e Conservação Arquitetônica. Com uma característica arquitetônica eclética, o imponente palacete foi lugar do Senado Imperial, funcionando ali de 1826 até 1926. Além disso, já abrigou o Instituto de Eletrotécnica da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ), 1930 até 1960. Desde então o prédio tem se deteriorado gradativamente.
Na Av.Mem de Sá, 234, fica um dos prédios da Previdência Social, abandonado pelo Governo Federal, o local foi fonte de invasões diversas vezes. Com uma área de 1.369 metros quadrados o local se encontra sem janelas e com a entrada cimentada com tijolos, que foi a forma encontrada para impedir as constantes invasões. Em dezembro de 2016, o jornal Extra, afirmou que o edifício se encontrava em processo de leilão por parte da Previdência Social, segundo eles, o valor iniciado está em R$ 1,213 milhão.
Esse é um dos poucos prédios dessa lista que estão em mãos particulares. O casarão localizado na Rua República do Líbano, 78, coração do Saara iniciou suas obras em 2010, para a reforma do telhado e da fachada. No entanto, após terem sido colocados o andaime no prédio aparentemente nada foi feito.
Quem passa pela Rua do Senado, nº 57, esquina com a Av. Gomes Freire já deve ter reparado no esqueleto de um prédio cinzento, com telas de proteção.
Durante o século XIX, o local serviu da cavalaria do imperador D. Pedro II, hoje restou somente uma fina parede coberta de cimento com alguns vergalhões em seu interior para tentar impedir sua queda sobre os pedestres.
Famoso, por ter abrigado durante muitos anos um bordel na Av. Passos, 7, o Hotel Paris foi em 2010, para dar lugar ao luxuoso hotel de cinco estrelas que seria inaugurado no local. O projeto de aproximadamente R$10 milhões de reais, pertence aos irmãos François-Xavier e Jacques Dussol, proprietário dos hotéis da marca La Suíte. Construído em estilo neoclássico em 1902 e tombado pelo Iphan, a reabertura do novo hotel era prevista para 2015. Entretanto, o prédio histórico se encontra atualmente abandonado e se deteriorando, sem que seja feito alguma coisa com o local.
Hoje em dia, funcionando como um estacionamento irregular, o prédio localizado na Rua dos Inválidos, 193, é outro exemplo de imóvel abandonado ao tempo. O que pouca gente conhece é que o local abrigou o Palácio de São Lourenço, e pertencia a Conselheiro Francisco Bento Maria Targine. Construído em 1938 em estilo neoclássico, o prédio possuía longas pilastras, contornos ondulados e dezenas de portas e janelas. Tombado pelo Iphan o antigo Palácio de São Lourenço, é outra parte da história do Centro - o local fazia esquina com a Rua Mata Cavalos, hoje Rua do Riachuelo - é esquecida e abandonada.
Em nota, a Subsecretaria Urbanismo, Infraestrutura e Habitação, afirma que a fiscalização é feita através de denúncias ou aparente estado de desmoronamento. Ainda de acordo com o órgão municipal, nenhuns dos prédios citados nessa matéria estão em risco estrutural, segundo a Gerência de Manutenção predial.
“São propriedades privadas e a conservação e recuperação fica a encargo dos responsáveis. O papel da prefeitura é fiscalizar, vistoriar, intimar e, em casos de risco atestado, intervir. Se houver necessidade de obras, os responsáveis serão intimados e, em caso de não cumprimento das exigências no prazo determinado, multados. Em situações de risco estrutural, a Defesa Civil será acionada para interdição do local.”
Em compensação, de acordo com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro, afirmam existir Registros de Responsabilidade Técnica, para dois dos endereços listados na reportagem, ainda segundo a CAU-RJ, a verificação das condições das obras é de responsabilidade da prefeitura e da Defesa Civil.
“Na obra da Praça da República, existe um RRT de 2015 para a atividade técnica de execução de estrutura de madeira. Na obra localizada na República do Líbano, há registro de 2012, para realização de projeto arquitetônico. Não há registros para os outros endereços solicitados, o que pode significar que não há arquitetos e urbanistas envolvidos. Nossa gerência de fiscalização informou que enviará uma equipe de fiscais aos locais apontados para verificar a possibilidade de exercício ilegal da profissão”.
Enquanto proprietários, prefeitura, e órgãos públicos não se movem para preservar a história e os moradores da cidade, os riscos para quem anda próximo a alguns desses prédios vai continuar existindo. Além da perda histórica que alguns deles representam para o Rio de Janeiro e para o país. Enquanto isso, os prédios vão continuar abandonados causando aflição aos pedestres nas ruas do Centro e podendo a qualquer momento causar um acidente.

 

 
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